2875 — Debate sobre comércio electrónico reúne mais de mil participantes

Abr 5, 2004

Conferência Comércio ElectrónicoA conferência da Anacom “O Comércio Electrónico em Portugal”, reuniu na 3.ª Feira mais de mil participantes, na Culturgest, em Lisboa. Em análise estiveram o Quadro Legal – dentro do qual mereceu destaque a importância da segurança nas transacções e a confiança dos consumidores – e o Negócio, através de um painel que levou à discussão a economia digital, a segurança e a tributação na Internet. Foram ainda apresentados três casos de sucesso.

A conferência integrou dois painéis, o primeiro voltado para a vertente jurídica, dando conta das grandes linhas de força da estrutura jurídica em que assentará o comércio electrónico, e o segundo voltado para a vertente do negócio, reunindo informação útil sobre a economia digital e sobre a questão da tributação na Internet e dando lugar à apresentação dos portais Exit.pt, Miau.pt, da Tradecom e do MS Market, enquanto casos de sucesso.

No que concerne a vertente jurídica, foram apresentadas as linhas gerais do regime jurídico do comércio electrónico nos pontos em que o mesmo pretende incrementar a segurança nas transacções electrónicas e na circulação de informação, bem como a confiança dos utilizadores.

Por exemplo, no plano da contratação electrónica, foi salientada a forma como o novo regime pretende eliminar as barreiras à contratação electrónica através do reforço da segurança jurídica e, simultaneamente, reforçar os direitos dos consumidores.

Já em matéria de circulação de informação, destacou-se a introdução de novos instrumentos jurídicos no combate às actividade e conteúdos ilegais em rede. É o caso dos deveres específicos de prevenção a cargo dos prestadores intermediários de serviços no exercício das actividades de simples transporte, armazenagem intermediária e principal e associação de conteúdos, optando-se, todavia, pela ausência de uma obrigação geral de vigilância sobre as informações transmitidas ou armazenadas ou de investigação de eventuais ilícitos praticados no seu âmbito.

Uma referência especial mereceu a matéria das comunicações não solicitadas, vulgarmente designadas por spam. Nesta área salientou-se a adopção legal de uma postura radical no combate a este fenómeno (no seguimento da directiva comunitária), tendo sido estabelecida a regra da opção positiva relativamente às comunicações não solicitadas para fins de marketing directo, de acordo com a qual o envio das mesmas depende do consentimento prévio dos respectivos destinatários, com excepção das mensagens enviadas a pessoas colectivas ou na sequência de uma relação comercial preexistente.

Seguiu-se a exposição de diversos casos de sucesso, nomeadamente os portais Exit.pt e Miau.pt (Grupo Sonae), a Tradecom e o MS Market. Feita a apresentação das vertentes de negócio e das tecnologias de suporte de cada empresa, evidenciaram-se os bons resultados alcançados e uma expectativa optimista face ao futuro dos projectos e ao desenvolvimento do comércio electrónico em Portugal.

Foram de seguida apresentadas as linhas gerais do Programa Nacional de Compras Electrónicas, o plano de acção do Governo português para promover a adopção das compras electrónicas, nomeadamente, a massificação da contratação electrónica.

Em matéria de segurança nas transacções electrónicas, no que respeita em particular à questão dos pagamentos através da Internet, tendo sido identificados os desafios e benefícios que se antevêem na generalização de um sistema seguro de pagamentos e apresentadas as soluções tecnológicas já criadas com esta finalidade, foi salientada a urgência no incentivo ao mercado para a utilização e massificação de soluções seguras junto das empresas e dos cidadãos.

Por último, no que respeita à matéria da tributação na Internet, foi abordada a necessidade da adaptação dos conceitos clássicos do Direito Fiscal à tributação das actividades em linha – nomeadamente os conceitos de residência, fonte de rendimento e estabelecimento estável – e delineadas as linhas gerais da tributação sobre o consumo.

Nesta iniciativa da Anacom, comissariada por Manuel Alves Monteiro, participaram como oradores Diogo Vasconcelos, gestor da UMIC – Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento e os professores José de Oliveira Ascensão, José Saldanha Sanches, Luís Menezes Leitão e António Nogueira Leite, entre outros. A abertura da conferência esteve a cargo da Ministra da Justiça, do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia e do presidente da Anacom.

A todos os presentes na conferência foi distribuído um manual sobre o comércio electrónico, elaborado pela ANACOM com a colaboração do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento do Ministério da Justiça e do professor José de Oliveira Ascensão.

Segundo o Anacom, esta conferência surge como o corolário lógico da aprovação do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro, que acrescentou às atribuições da Anacom as de entidade de supervisão central no âmbito do comércio electrónico, dando origem à criação de um grupo de trabalho dedicado à análise das questões relativas a esta matéria.

Na opinião de Álvaro Dâmaso, presidente da Anacom, a afluência de mais de mil interessados na iniciativa representa «uma resposta eloquente à relevância e actualidade da matéria objecto da conferência».

2004-04-01

http://www.anacom.pt/template2.jsp?categoryId=90900

Em Foco – Opinião

 

 

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