234 — A importância da qualidade de dados para um Contact Center e todo o processo de CRM

Jan 23, 2002

Nuno Martins de CarvalhoPor Nuno Martins de Carvalho
Director Geral da Arena Direct

Na certeza de que pelo Contact Center passam uma esmagadora maioria das informações a serem geridas por qualquer processo de CRM, é estratégico que essa mesma informação possua índices de qualidade elevados. Se não vejamos:

– sem um datawarehouse de qualidade os clientes nunca poderão ser tratados numa perspectiva de relacionamento já que as suas relações (interacções com a empresa) poderão não estar perceptíveis para as aplicações que fazem a leitura e análise das mesmas ie. os softwares de CRM de datamining de geomarketing e de gestão de campanhas

– assim se os dados não estiverem devidamente integrados numa relação de um cliente para (que deverão ser todos) os históricos/interacções que esse mesmo cliente tenha realizado com a empresa esta poderá incorrer em erro grave de reconhecimento por omissão ou excesso. Dando um exemplo:
vamos simular que a Base de dados da empresa A (uma empresa do ramo automóvel) é a nossa memória individual – se não temos a nossa memória devidamente estruturada e em condições poderíamos incorrer nos seguintes erros:
1 – o cliente B telefonou-nos ontem a dizer que por estar ausente não poderia ir levantar o automóvel a oficina
2 – 2 horas mais tarde enviou-nos um e-mail a referir que o seu compromisso tinha sido anulado e sempre poderia ir levantar o automóvel
3 – por termos uma fraca memória (leia-se BD ou repositório de informação) esquecemo-nos da sua mensagem de e-mail
4 – como consequência esquecemo-nos de preparar o automóvel para a sua saída da oficina o que levou a diversos inconvenientes e custos pela parte do cliente (tempo de trabalho perdido, problemas com o seu patrão para sair mais cedo do seu local de trabalho, custo do táxi, etc) e custos que deverão ser contabilizados na nossa relação como empresa com aquele cliente específico (leia-se aqui – grave falha na gestão da relação com o cliente) ie. consequente menor confiança do cliente nos nossos serviços, maior apetência para ser angariado por uma empresa concorrente, etc..

Num Contact Center empresarial a informação é gerida da mesma forma que na nossa memória individual apenas que com problemas de integração da nova informação muito potenciados já que uma base de dados não faz tão linearmente a relação entre as novas informações e as já existentes em BD. Assim, esta tarefa de integração de nova informação na nossa BD ou no nosso datawarehouse passa por diversas fases, algumas delas essenciais para todo o processo do CRM:

1º fase – a BD deverá identificar a informação proveniente dos diversos canais pelos quais esta poderá ser prestada – no nosso exemplo o canal telefónico e email mas poderemos ainda ter de considerar tb os canais balcão, correspondência, fax, vendas directas a contabilidade… – este papel é prestado pelas aplicações Modulares de CRM;

2ª fase – o processo de identificação dessa mensagem e o seu relacionamento com informação já em Base de Dados (uma das fases mais importantes e onde a tecnologia tem um papel muito grande devido às grandes quantidades de dados que chegam diariamente as empresas). Esta processa-se normalmente por diversas formas possíveis:

a) identificando o indivíduo por um número (os exemplos mais usados são o numero de contribuinte ou BI). O problema é que em 90% dos contactos que o cliente realiza com a empresa este número não é facultado ou pela rapidez em que o mesmo é executado – caso do contacto telefónico ou por não ser pertinente pedir ao cliente este dados. Dado esse que normalmente o cliente não tem à mão e não presta facilmente. Este facto é também agravado pelo facto de os gestores de marketing terem uma tendência (na maior parte das vezes razoável) de pedirem apenas a informação essencial ao cliente, com o objectivo de não saturar este e tornar o contacto o mais simples e rápido possível;

b) realizando um cross matching entre o nome do indivíduo (dado facultado em 100% das interacções do cliente com a empresa) e/ ou endereço (sempre que possível). Este processo é universalmente o mais usado já que permite manter os níveis de eficácia, rapidez de tratamento e boa percepção pelo cliente, muito elevados;
Neste processo são absolutamente necessárias 3 aplicações (na arenadirect utilizamos 2 aplicações da Uniserv GmbH comercializadas e adaptadas para o nosso país pela Sharedata Marketing Systems – nossa associada, e ainda uma aplicação própria de normalização de dados globais)

ShareConv – um normalizador de Nome, Apelidos, identificador de sexo, corrector de telefones, fax e telemóveis, identificação de empresas e títulos académicos, identificação e correcção de caracteres especiais …

POST – um corrector/normalizador de endereços

MAIL – uma aplicação de matching ou de duplicação de dados

Estas aplicações disponíveis em versão Batch Line (para a gestão de milhões de registos) e em versão OnLine (mais usadas em Contact Centers e Balcões) permitem com muita eficácia – índices de 80% a 93% – realizar o processo de identificação e relação dos dados novos com os já existentes.

3ª fase – integração dos dados no repositório seja este um Datawarehouse ou um simples Marketing DataBase. É o processo de Data Enhancement.

Na arenadirect usamos uma ferramenta e metodologia próprias desenvolvidas pela nossa parceira tecnológica. Existe no entanto um factor decisivo neste processo. Se a fase anterior não tiver sido executada com qualidade este último processo vai com toda a certeza falhar.

De um facto temos a certeza. Sem um processo de DataQuality bem estruturado e executado, o estabelecimento e a gestão das relações com os nossos clientes e prospects ( bases fundamentais do marketing moderno) jamais poderão ser implementados.

… e a principal missão de um Contact Center – ajudar a estabelecer e gerir estas Relações Duradouras – não será cumprida.

http://www.arenadirect.pt/

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