Integração e Mobilidade são os dois principais drivers para o aumento da produtividade através das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Mas a maior preocupação das empresas, actualmente, é melhorar a eficácia da gestão, garantindo o ROI. São estas as principais conclusões a retirar do evento da IDC Portugal, Directions2003, traduzidas pelo seu administrador, Jorge Coimbra, em entrevista ao Centro de Contacto.
Como estava previsto, a maioria das apresentações durante os dois dias de debate (7 e 8 de Outubro) promovido pela IDC Portugal, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, foram de «fundo tecnológico», procurando «mostrar caminhos para o aumento da produtividade», com recurso às TIC.
Vários especialistas – João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Mário Freitas, da ANACOM, Paulo Fernandes, da Portugal Telecom e Vitor Bento, Presidente da SIBS e da Unicre trouxeram ao seminário uma visão global das prioridades estratégicas das organizações: mobilidade, processos de negócio, integração, estratégias de gestão e análise de risco e inovação dos modelos.
Centro de Contacto – Depois de tudo o que foi discutido no Directions 2003 entre especialistas nacionais e internacionais dos sectores público e privado e uma vasta audiência, quais são os actuais desafios para as empresas?
Jorge Coimbra Há, desde logo, uma constatação clara: o período de crise que atravessamos agudiza a necessidade de termos uma gestão muito mais eficiente. Palavras como o ROI (Retorno do Investimento), que só apareceram no contexto há dois, três anos atrás, traduzem, claramente, que só se podem fazer investimentos se eles tiverem retorno para a empresa.
Entre 1995 e 2000 houve um crescimento exponencial tecnológico (a chamada bolha tecnológica) e deu-se um período onde os investimentos não eram sequer necessários, numa economia que estava a crescer no mínimo dois dígitos ao ano. Quando as condições se alteraram drasticamente, as empresas passaram a colocar-se uma série de questões que até então não faziam sentido. Isto explica porque é que muitos oradores se dedicaram a vir aqui trazer questões voltadas para a gestão tecnológica.
Sentiu, nestes dois dias, alguma confiança quanto à retoma da economia no mercado português, esperada, pelo menos por alguns, para 2004?
Nesse aspecto, é necessário fazer dois comentários: há uma percepção de que algo está a melhorar, ou de que não estamos a piorar. Mas o facto de termos passado, no mínimo, a década de 90 com os crescimentos que referi faz com que, psicologicamente, muitos empresários, anteriormente habituados a ver as suas empresas crescerem 20% a 30% ao ano, não conseguem encarar sem dificuldade as expectativas de crescimento de 2% ou 3% , para 2004.
Como é que as Tecnologias de Informação e Comunicação podem contribuir para melhorar esses resultados?
Existem dois drivers maiores: a integração das empresas, que precisam de saber conversar entre si e passar informações que tenham a mesma origem; e a mobilidade, um motor forte que o mercado começa a utilizar, para o qual há um futuro enorme. Esse futuro depende de factores como as empresas estarem devidamente integradas para tirar todos os benefícios e a economia ter um mínimo de força para poder absorver essas novas aplicações que as TIs propõem.
Mas o primeiro passo é justamente o da gestão. As tecnologias estavam habituadas a desenvolver projectos e aplicações quase sem que isso fosse questionado. Agora a gestão é muito mais rigorosa, o que é extremamente positivo.
Verifica-se ainda a falta de convergência entre as aplicações tecnológicas que foram adquiridas pelas empresas e as necessidades reais destas, por vezes pouco planeadas?
Esse é um ponto que foi discutido por vários oradores aqui – o facto de muitas empresas terem comprado, tanto na parte de hardware, como na de software ou serviços, muito além do que era necessário na época. Por isso uma das indicações que se pode fazer agora é para que as empresas procurem tirar partido de todo o activo que têm, utilizando ao máximo os seus recursos existentes.
Na sua opinião, e face aos projectos de reforma da Administração Pública que estão em curso, e que implicam muito com as tecnologias (ao nível da Banda Larga ou do desenvolvimento do E-GOV, por exemplo), como é que se pode melhorar a produtividade no sector público?
Se fizermos uma correspondência com as empresas, que como eu disse, estão hoje particularmente preocupadas com o tema da gestão, tudo o que se fala em termos de reforma da máquina, das pessoas e dos processos na administração pública, reflecte isso mesmo – o Estado precisa de ser melhor gerido.
Há indícios de um processo de integração, com a aposta do Governo na Banda Larga, no E-GOV , na Sociedade de Informação. Se isso conseguir abranger a sociedade toda e não ficar restrito a uma elite, acho que é um grande desafio. Muitos desse planos são extremamente viáveis para uma camada que hoje tem capacidade tecnológica, porque teve capacidade (em grande parte financeira) de dispor desse conhecimento.
Mas perante a população em geral, essa camada é estreita…
Sim, é estreita. A UMIC (Unidade Missão Inovação e Conhecimento) terá de saber fazer chegar o seu projecto a outras camadas, quer dentro das grandes cidades quer no interior. Para mim, esse é o grande desafio do Governo, neste momento.
É necessário que a sociedade como um todo saiba utilizar a tecnologia. O Índice da Sociedade de Informação da IDC, que mede a capacidade de utilização da tecnologia em cada país, revela, por exemplo, que os Estados Unidos (o país com maior capacidade tecnológica, como é sabido) ocupam a 4.ª posição. Em primeiro estão os países escandinavos e Portugal está colocado na 27:ª posição, a nível mundial.
Gabriela Costa
2003-10-09
http://www.idc.pt/site/cgi-bin/idc_evento_01.asp?eventoid=4
Centro de Informação-ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Em Foco – Pessoa