A Associação Para o Desenvolvimento do Teletrabalho visa promover o estabelecimento de recursos que favoreçam o trabalho em rede em língua portuguesa.
O Centro de Contacto foi conhecer esta associação, na pessoa da sua secretária geral, Isabel Baptista Rodrigues, que nos colocou a par da evolução da APDT, dos projectos em curso e da visão existente sobre teletrabalho e teletrabalhadores.
Fundada em 1997 no âmbito de uma iniciativa da União Europeia que englobou vários projectos semelhantes nos países membros, contou, desde o início, com um associado/fundador de peso – a Portugal Telecom – e logo em 1998 foi responsável pela organização do evento Telework 98, que tem percorrido o mundo e se realizou, nesse ano, em Portugal.
Contudo, o grande pulo em termos de número de associados aconteceu no segundo semestre de 2001 após divulgação e presença em programas televisivos, o que ilustra bem o peso que a televisão continua a ter nos mass media. Isto permitiu um pulo em termos de associados na ordem dos 300 para 1500, o que confere à APDT mais notoriedade e permite, entre outras coisas, um maior poder negocial com vista a um dos objectivos da associação: fornecer melhores tarifas de telecomunicações aos seus associados.
Um dos objectivos da entrevista era tentar estabelecer uma relação entre a actividade desta associação e o sector dos centros de contacto e foi com todo o gosto que Isabel Baptista Rodrigues partilhou experiências decorrentes de projectos em curso e manifestou o interesse da APDT em aprofundar esta relação e traduzi-la em mais acção.
De facto, foi com satisfação que observámos que o conceito de call-center virtual, em que, de forma imperceptível, uma linha de atendimento pode ser encaminhada directamente para a casa ou local onde se encontra o tele-trabalhador, é um ideia que já está em prática e conta com o apoio da APDT. Em Portugal, quando alguém liga para o apoio ao cliente de um dos maiores fabricantes de software, a sua chamada é atendida por um teletrabalhador em local desconhecido. Este tem sido um caso de sucesso comprovado e não é caso único, uma vez que o sucesso potencia mais projectos semelhantes.
Mas nem tudo são rosas e Isabel Baptista Rodrigues esclarece que nem qualquer pessoa tem perfil de teletrabalhador uma vez que o teletrabalho acarreta um elevado grau de auto-responsabilização e o saber trabalhar por objectivos. Esse trabalho tem também que ser devidamente acompanhado, quer do ponto de vista de gestão das tarefas e objectivos, quer do ponto de vista de acompanhamento psicológico.
É importante salientarmos entre as vantagens práticas do teletrabalho a possibilidade de recrutar pessoas com incapacidade – que normalmente apresentam índices elevados de produtividade e empenho – assim como diminuir factores como interioridade e insularidade.
Entre os projectos para 2002, destacamos a criação de um e-marketplace com duas componentes essenciais: o e-learning e o e-recrutamento.
O e-learning será um projecto de verdadeiro ensino à distância com processos interactivos (ao contrário de certas soluções que não são mais que mera gestão de conteúdos).
O e-recrutamento, por seu lado, não será inteiramente electrónico, limitando-se à captação de proposta que serão posteriormente analisadas pelas equipas da APDT. Isto prende-se com a experiência que esta associação adquiriu em relação ao perfil do teletrabalhador e adequação deste perfil ao projecto em causa. Assim, a APDT assumirá o papel de fazer adequar a melhor oferta à procura existente, visando o sucesso dos projectos.
http://www.apdt.org/
Em Foco – Projecto