1812 — Debate sobre tendências de Business Intelligence em Portugal marca início de Grupo de Trabalho no Portal CC

Mar 18, 2003 | Conteúdos Em Português

À revelia das tendências gerais do sector das TI, o crescimento da área de Business Intelligence em Portugal para este ano poderá ser na casa dos dois dígitos, embora hajam ainda grandes assimetrias e soluções ‘mal implementadas’. Esta é a opinião de alguns especialistas que estiveram reunidos num encontro promovido pelo Portal Centro de Contacto no CCB que marcou o arranque do Grupo de Trabalho sobre Business Intelligence.

Para José Oliveira, gestor da unidade de negócio da Sinfic, existem ainda em Portugal muitas soluções de Business Intelligence (BI) mal implementadas: “As tecnologias de BI são utensílios muito poderosos para as empresas. Contudo, cerca de 10 por cento dos projectos são mal implementados o que é mau para o mercado porque a sensação com que as empresas ficam é que as aplicações não funcionam ou não cumprem as suas expectativas.”

No entender deste responsável pela Sinfic, os principais problemas na implementação destas soluções prendem-se com a gestão de fontes de dados e de fontes paralelas. “A tecnologia é apenas um meio para atingir um fim, e aquela que dispomos hoje já nos permite atingir resultados bastante satisfatórios. Mas os implementadores é que têm a mais valia e aí é que reside o know-how

O estado de implementação de soluções BI no nosso país revela ainda uma grande heterogeneidade e assimetria. É esta, pelo menos, a convicção de Luís Bettencourt Moniz, marketing manager da SAS Portugal. “Existe um núcleo de organizações que estão com projectos bastante avançados e outro núcleo que ainda não implementou ou está a ter grandes dificuldades na implementação de soluções de BI ”.

Para Luís Moniz, as más implementações também se prendem com a própria estratégia das empresas: “O não conhecimento correcto das estratégias ou dos objectivos de negócio pode impedir muitas vezes o sucesso da implementação de soluções de BI ”.

“Depois há outros erros que se cometem na fase de implementação. Por exemplo, na área de projectos, define-se um projecto para dois ou três anos com um objectivo final, mas durante esse período não se apresentam pequenos resultados ou funcionalidades que possam dar ao utilizador um certo controlo sobre o processo,” acrescenta.

Em consequência da actual conjuntura económica, Carlos Cardoso, director da Actis Business Intelligence (Brio Partners) tem notado uma enorme implementação de datamarts ao nível departamental que depois podem evoluir para um datawarehouse. Para Carlos Cardoso, as soluções de datawarehouse mais complexas têm sido desenvolvidas para a área financeira e telecomunicações .

“Notou-se em Portugal nos últimos anos uma grande avalanche na implementação de soluções ERP. É claro que uma empresa só pode e deve avançar para um datawarehouse quando tiver os processos transaccionais minimamente arrumados”.

Carlos Cardoso identifica ainda outros problemas na adopção das soluções de BI: “Em Portugal existe ainda muito aquela visão de que a informação tem de ficar apenas disponível para o topo da pirâmide. É óbvio que isto embaratece os projectos mas acaba por ser redutor. A ideia do BI é que todas as pessoas dentro da organização possam medir a sua performance contra os seus objectivos. O difícil em Portugal é ainda fazer ver à gestão de topo que todos os membros da organização deveriam ter acesso à informação de Business Intelligence ”.

De acordo com este responsável da Actis, em 2003 vai haver uma maior procura de soluções mais imediatas e não tanto a longo prazo. “O projecto típico vai ser ao nível departamental. As vendas irão continuar a aumentar na casa dos dois dígitos, mas a atomização do mercado vai ser cada vez mais notada”.

Para José Oliveira, a tendência de futuro será a adopção dos pacotes integradores. “A grande vantagem destas soluções é assentarem sobre uma plataforma única apesar de as empresas que proporcionam este tipo de soluções terem menos maturidade do que aquelas que existem há mais anos”.

Luís Moniz crê que o sector do Business Intelligence será aquele com maior crescimento dentro das TIC no nosso país mas está convencido que a assimetria irá continuar. A área financeira e a das telecomunicações são as que estão numa fase mais avançada na implementação destas soluções “porque notam constantemente no dia-a-dia a pressão da concorrência e do mercado, muitas vezes com objectivos de negócio que têm de ser alterados em menos de três meses”.

Para Luís Moniz, assiste-se também neste momento por parte de algumas empresas a uma tendência de integração de projectos da relação com o cliente (CRM), com projectos internos na área da consolidação financeira e de relação com os fornecedores (SRM) colmatados com balance scorecards “que possibilitam uma visão de conjunto de toda a organização.

“O Business Intelligence será talvez o único sector das TI em é que possível provar o retorno do investimento. Por exemplo, num projecto de segmentação de clientes e gestão de campanhas de marketing, em que, em vez de enviar um mailing maciço e indiscriminado, se direcciona a informação para uma faixa específica de clientes, é facilmente possível quantificar o ROI de acordo com as respostas obtidas”.

Contactado pelo Portal Centro de Contacto, Miguel Esteban, director geral da unidade ibérica da MicroStrategy, crê também na evolução positiva do BI em Portugal para este ano:

“Apesar da implementação de soluções BI estar em Portugal bastante mais atrasada do que, por exemplo, em Espanha, já temos experiências bastante boas no sector da banca que suplantam, em alguns casos, o que se passa aqui ao lado. Dentro da área financeira, são os bancos que lideram este processo. Há, contudo, um enorme potencial nas seguradoras que não foi ainda suficientemente aproveitado”.

Esteban acrescentou que se em 1997 era suficiente a um grande banco possuir uma aplicação tradicional, com 10 ou 15 utilizadores e com um grau médio de sofisticação analítica, hoje são cada vez mais comuns aplicações que apoiam milhares de utilizadores, fundamentalmente baseadas em web browsers.

Filipe Samora
2003-03-18

Centro de Informação-DATABASE & BUSINESS INTELLIGE