1671 — Governo dinamiza comunidades digitais no Ensino Superior

Jan 24, 2003 | Conteúdos Em Português

Logo A UMIC – Unidade Missão Inovação e Conhecimento realizou ontem a cerimónia de lançamento do programa “e-U” – Campus Virtuais, uma iniciativa que visa dinamizar a criação de comunidades digitais nas universidades e politécnicos, facilitando o acesso rápido e barato ao conhecimento. 25 milhões de euros é o valor do financiamento à candidatura que o Governo abre, já a partir de Fevereiro, aos estabelecimentos de ensino superior a nível nacional.

A reitoria da Universidade de Aveiro (UA) – uma das seis universidades onde estão a ser implementados projectos-piloto para criação de Campus Virtuais, serviu de palco ao lançamento deste projecto do Governo, da responsabilidade da UMIC e financiado pelo POSI – Programa Operacional da Sociedade de Informação.

O programa “e-U” visa, em primeiro lugar, massificar o uso da internet no ensino superior, webizando os espaços públicos dos estabelecimentos e incentivando a produção e partilha de conteúdos (a qualquer hora, em qualquer lugar), através da instalação de redes wireless de Banda Larga. Cada escola poderá contar com uma comparticipação de fundos comunitários na ordem dos 75% do total do investimento a realizar, sendo certo que as candidaturas se destinam a todo o tipo de estabelecimentos do ensino superior, públicos ou privados.

Este projecto prevê ainda que estudantes e professores possam adquirir computadores portáteis equipados com tecnologia wireless, em condições especiais, graças a um conjunto de protocolos que foram assinados ontem, entre a UMIC e várias entidades: fabricantes de hardware, fornecedores de software, operadores de telecomunicações com acesso móvel em Banda Larga e banca.

Presentes na sessão de apresentação e inauguração oficial do Campus Virtual da UA estiveram José Arnaut, Ministro-Adjunto do Primeiro Ministro, e Pedro Lynce, Ministro da Ciência e Ensino Superior. A cerimónia foi aberta por Helena Nazaré, Reitora da UA, para quem a solução wireless que esta iniciativa promove «acrescenta funcionalidade, versatilidade e acessibilidade à infraestrutura de comunicação da UA ».

Na realidade, esta tecnologia amplia a utilização dos serviços aos espaços públicos da universidade, permitindo a alunos, professores e visitantes aceder aos serviços comuns da internet (correio electrónico, por exemplo) e, simultaneamente, utilizar o conjunto de serviços disponibilizados no Campus, como a secretaria virtual, o catálogo da biblioteca, conteúdos programáticos e de avaliação ou ferramentas de ensino à distância. A UA é, de todas as universidades onde estão a ser implementados projectos-piloto com vista à instalação de comunidades digitais, aquela cujo programa está em fase mais avançada, com a rede sem fios de interligação à rede interna já operacional.

Diogo Vasconcelos, gestor da UMIC, apresentou o modelo geral do projecto, que, ao nível de conteúdos, prevê o acesso a arquivos, publicações universitárias e materiais de apoio, fornecendo informação sobre saídas profissionais, e-books e sebentas online, 24 horas sobre 7 dias. A webização de serviços administrativos da universidade (inscrições, exames, notas, requisição de documentos, etc.) e software de base para conteúdos de e-learning e trabalho colaborativo, também disponíveis permanentemente, são os principais serviços e aplicações do programa “e-U” .

A conectividade far-se-á graças ao acesso Banda Larga a custos reduzidos, redes wireless “on-campus” e acesso por rede móvel via GPRS .

Para o gestor da UMIC , importa «cativar os agentes» para aderir à iniciativa, potenciar a acessibilidade e conectividade e massificar a Banda Larga e o acesso a PC’s e portáteis. Disponibilizar um conjunto de serviços de base relevantes é condição essencial, para dinamizar entre os utilizadores uma mentalidade de partilha de conhecimento capaz de gerar «redes de inovação e conhecimento com energia própria».

Naquilo que considera uma «convergência de esforços», Diogo Vasconcelos salientou a importância dos protocolos assinados ontem, entre a UMIC e vários fabricantes de hardware, operadores de telecomunicações, fabricantes de software e banca.

A Oni, PT, IOL, Clix, TVTel, ViaNetworks e Cabovisão apoiam esta iniciativa com o acesso móvel e Banda Larga a preços competitivos, enquanto a Intel e Microsoft vão fornecer aplicações base e sistemas operativos «com vantagens máximas».

A banca faz-se representar a nível nacional com o BCP, BES, BPI e CGD, que irão garantir acessibilidade a produtos sob condições de financiamento especiais. Finalmente, a HP-Compac, Dell, Fujitsu-Siemens, IBM, Apple e Toshiba participam com a oferta de computadores pessoais e portáteis, com placas de rede e ligação wireless , a preços obrigatoriamente inferiores aos praticados no mercado. Garantia mínima destes acordos protocolares é que cada fabricante disponibilize dois modelos recentes de equipamentos.

Resta dizer que a UMIC estima que a aquisição de portáteis pelos estudantes e professores se faça por um valor médio mensal de 35 a 50 euros, sendo que as condições finais da compra «dependem do comportamento concorrencial do mercado», tendo em conta a «multiplicidade de ofertas, tanto por parte dos fabricantes como dos bancos», como adiantou João Oliveira, da UMIC .

O programa “e-U” , apoiado pela Fundação para a Computação Científica Nacional enquadra-se, para Pedro Lynce, no plano estratégico do Governo para desenvolver a Sociedade de Informação, constituindo uma «oportunidade única» para a criação de «uma Universidade de excelência» em Portugal. O Ministro da Ciência e Ensino Superior deixa, no entanto, o alerta: «a inovação começa nas pessoas e só depois evolui, ou não, para a tecnologia».

Também José Arnaut considera que só com iniciativas «mobilizadoras» como esta será possível recuperar o atraso português em matéria conhecimento com recurso à internet. Mas, para a tão necessária afirmação da Sociedade de Informação é preciso «massa crítica», conclui. O tempo dirá de que modo a comunidade académica vai responder ao desafio que será lançado pelo Governo, em Fevereiro.

Gabriela Costa

2003-01-23

http://www.umic.pcm.gov.pt

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